Professor e Aluno: Uma relação para sempre

Inexiste possibilidade de falar em ética dos estudantes de direito sem se falar também da ética dos professores de Direito. O professor de Direito é somente um estudante mais qualificado e experiente, e ainda interessado e apaixonado pelas ciências jurídicas.

Quando indaga-se o que leva alguém a aceitar a função de professor de Direito, podemos contemplar diversas respostas, a menos provável seria a de que ele pode sustentar a si e a sua família. Certamente esta resposta seria dada por alguém que não tem vocação para o corpo docente universitário no que tange ao ensino jurídico. Mesmo porque, a remuneração não condiz com o que é apresentado pelo professor, diferentemente de alguns países asiáticos e até dos Estados Unidos.

É possível encontrar professores vocacionados, que acreditam no Direito como instrumento de solução de controvérsias; existem aqueles que querem viver juntamente com os mais jovens para enfrentar embates pessoais sobre sua própria existência; outros querem prestígio; outros ainda encontram nisto motivo de atualizar seus estudos sendo tão sinceros com os alunos que chega até ser arrogante e petulante.

Infelizmente, quando se fala em professorado no Brasil, constatamos de forma empírica (somente pela experiência e não pelo estudo) e genérica, e nem fazemos uma análise tão profunda para encontrarmos alguns casos extremistas. Por exemplo, professores que se utilizam da cátedra para fazer crescer e manter uma clientela fixa para os seus livros e apostilas (isto é consequência); ou ainda daqueles que têm problemas em casa e querem arranjar um desculpa para saírem de casa duas vezes por semana e esticar a saída para depois da aula, tornando-se companheiro de alunos em bares, e desfrutar da noite, em todos os sentidos.
Nosso país não investe na formação de professores, não existe um processo completo e real. Pode-se dizer que a pós-graduação, em sentido estrito, contribui para elaboração de teses importantes, mas não investe absolutamente nada para formação de educadores. Pois não há preocupação pela didática, pela psicologia educacional, pedagogia e outras modernas técnicas de transmissão do conhecimento – refiro-me a um Projeto claro, e não ao esforço de alguns Mestres que desesperadamente indicam caminhos para tanto. Ocorre que aquele que acredita saber sobre tudo, não passa de um ignorante que deveria ser excluído dos quadros de docentes do país, antes de encaminhar um aluno ao abismo.

O mínimo de técnica de ensino ajudaria notáveis juristas para a transmissão do conhecimento! Importante, seria, que os professores aceitassem passar por uma reciclagem e aprendizado de tais saberes, o que ajudaria no aprendizado de todos.
Prioritariamente, o professor de Direito deve saber que ele não é um juiz, um advogado, um delegado, um promotor de justiça, ou qualquer outro profissional do Direito. Mas ele é o Professor, incumbido de formar um colega, preparados com ciência e ética. Não é difícil tornar-se cada vez melhor professor, principalmente aqueles que gostam do convívio com os jovens. Não bastam conhecimentos técnicos e sebosos, mas deve haver humanidade.

O professor além de ter um manuseio eficiente dos códigos e doutrinas, ele precisa ser um jurista ético para os seus semelhantes. O Professor deverá fornecer alternativas, e somente uma alma bem formada poderá faze-lo, pois pode enxergar naquele aluno/pessoa o que outros não podem.
Por outro lado, alguém deverá ter coragem de dizer aos alunos em que acreditar, descobrirem o valor da família e dos humanos, a solidariedade, do respeito pelo outro e suas diferenças.
Claro que os professores recebem, dentre vários, também alunos formados pela televisão, indisciplinados e desrespeitosos com os pais, acostumados com a liberação dos costumes, da permissividade geral. Homens e mulheres “de-formados”, pela ausência presencial dos pais, pela monstruosidade indizível religiosa, pelo desprezo aos idosos e crianças e pelo desprezo de si mesmos. E agora?
A atribuição de um professor é nobre e ainda está em tempo de resgatar as qualidades que lhe são peculiares, aceitar que sua missão envolve mais do que ensinar direito. Do verdadeiro mestre se aguarda a transmissão de lições e práticas do respeito, da amizade e da compreensão. Com isso será reconhecido que a escola de Direito deve formar bons profissionais, que além de técnicos sejam cidadãos conscientes.

As escolas em geral não estão educando para a vida. Não interessa a Universidade, a Reitoria, a Faculdade, a Direção, porque aquele que está no nosso dia a dia é o Professor, a relação que se estabelece entre Professor e Aluno é pessoal, intensa, complexa, palpável e duradoura.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

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